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SOMOS TODOS NEURÓTICOS!

Nesta moderna sociedade vivemos sob o impacto de provações dignas de verdadeiras neuroses! Tudo muda o tempo todo e temos que acompanhar estas mudanças correndo atrás do tempo que se esvai rapidamente exigindo condutas imediatistas e adaptativas.

 

Preocupados, nos sentimos em meio a um campo minado, atormentados pelo medo e a insegurança que nos deixam com uma sensação de desamparo e desequilíbrio.

A beira de um ataque de nervos

Ficamos homens e mulheres a beira de um ataque de nervos, e se em meio a uma situação em grupo alguém se descontrola, parece que aciona a partida de uma neurose coletiva e então está armado o circo de loucos! Sim, temos a sensação de que a vida pode nos enlouquecer. Como se não bastassem tantos convites a um desajuste mental, muitos ainda ficam enlouquecidos quando não conseguem controlar pessoas ou coisas ao seu redor, mas afinal quem consegue? Já não basta tentar controlar a si próprio?

A ponto de enlouquecer

Que atire a primeira pedra quem nunca passou por uma situação de quase loucura diante de alguma circunstância achando que não conseguiria se controlar a tempo ou nunca reagiu de forma exagerada frente a uma situação do cotidiano quando se sentiu injustiçado ou com a paciência já esgotada. Afinal, temos limites e estamos sujeitos a uma reação agressiva contra o estímulo externo responsável pelo desconforto ou contrariedade. Certamente em uma destas atitudes enfurecidas alguém já nos chamou de neuróticos e até mesmo de loucos, e só Deus sabe do que somos capazes se não controlarmos nossos impulsos diante de muitas circunstâncias até mesmo corriqueiras em nosso dia a dia!

Todos temos nossa neuroses

Diante de tantas situações a nos tirar do sério, podemos dizer que bem abaixo da superfície, em maior ou menor grau, todos temos nossas neuroses, mas se estes conflitos e angústias são bem trabalhados, não irão se transformar em neuroses a nos impedir de viver em meio à sociedade. Somos diferentes e cada um reage de forma diferente em momentos de estresse, mas passado o ocorrido tudo volta ao normal e a vida prossegue sem maiores problemas.

 

No entanto, se as atitudes estão constantemente exaltadas, irrompendo em uma série de reações intempestivas e sem controle e a pessoa mais se parece com uma bomba ambulante prestes a explodir diante das mais ínfimas situações, torna-se preocupante, pois neste caso pode estar havendo aí um desequilíbrio relevante e não apenas uma suposta neurose sã e controlada.

Linha tênue entre normal e exagero

 

Existe uma tênue linha que separa o normal do exagero e muitos conseguem disfarçar bem suas esquisitices no ambiente social derramando para o ambiente particular suas maiores angústias, mas quando não conseguem obter uma qualidade de vida satisfatória, um apoio profissional é benéfico para um auxilio na remoção de barreiras que não conseguem ultrapassar, principalmente quando há indícios de uma mania patológica que incomoda ou até mesmo incapacita atividades cotidianas trazendo um grau relevante de sofrimento psíquico.

Mas afinal o que é ser normal?

 

A suposta normalidade pode ser controversa e relativa pois está relacionada a aspectos diversos, entre estes os ambientais, sociais, culturais, psicológicos e familiares, e por fim todos temos nossas manias e alguns deslizes que aos olhos do outro pode parecer excêntrico! Alguns podem ser conhecidos por serem neuróticos por limpeza, por organização ou do tipo bem metódico, enfim, ser portador das mais diversas excentricidades, mas e daí se isto pouco incomoda a si mesmo e aos outros?

Ninguém é tão normal!

 

Certamente também deve se munir do bom humor para aturar algumas chacotas ou gracejos como ser chamado de "cri-cri", chato de galocha, esquisitão e demais adjetivos por vezes nem sempre graciosos , principalmente se estiver em um dia ruim! Claro que muitos de nós conhecemos seres hipoteticamente normalíssimos, mas só Deus sabe o que fazem para parecerem tão normais já que a ansiedade em tentar se encaixar e permanecer alinhado com a perfeita normalidade pode acabar causando uma proximidade maior com uma neurose patológica do que com a própria normalidade almejada. E ainda nesta presunção de perfeição muitos apontam como malucos aqueles que procuram uma psicoterapia esforçando-se a aprender a controlar suas reações e a resolverem seus conflitos.

Nesta busca de apoio, alguns também podem se decepcionar ao se deparar com um profissional um tanto quanto neurótico e sair de lá com a sensação de que este está ainda pior, mas convém não utilizar isto como desculpa e continuar buscando.

 

Enfim, não dá para fazer uma classificação perfeita do que é normal e do que é anormal, temos nossa subjetividade. É simples impor um parâmetro, mas esperar que todos se encaixem é complicado, se assim for, torna-se fácil produzir um “louco” aos olhos da intolerância.

Convém ponderar que, ficarmos perfeitamente alinhados com a presumida normalidade é algo impossível! Talvez a loucura maior esteja em passar a vida levando-a tão a sério a ponto de não nos permitirmos a uma vírgula fora de nossos próprios e rígidos padrões de normalidade a troco de uma vida que aparente um perfeito equilíbrio embora quase enlouquecidos para mantê-la. Que ironia!

 

A vida é também uma aventura que nos permite pequenas doses de uma loucura sadia sem imprudências e riscos desnecessários, convém utilizar o sábio bom senso. Temos que procurar um equilíbrio sadio e para tanto é preciso controlar atitudes e reações dentro de um limite razoável, afinal quem vive perdendo a cabeça perde também a visão e ao não enxergar, fica em prejuízo ao lidar com as mais diversas circunstâncias.

Na busca deste autocontrole o autoconhecimento torna-se um importante aliado, pois se não nos conhecemos como vamos aprender a controlar nossas reações?

 

Sempre que possível, temos que buscar exercer a tão bem vinda lição de auto controle, para que em meio a situações em que estivermos prestes a explodir, ao invés de fervermos de raiva e sairmos da órbita do bom senso, utilizarmos o nosso imprescindível e precioso senso de humor para dizermos a nós mesmos que possuímos sim uma neurose que embora às vezes pertinaz, está sendo bem orientada em prol de uma sociedade menos patológica e de uma vida mais equilibrada e feliz!

AUTORIA: SILVANA LANCE ANAYA - Psicanalista e Psicoterapeuta Psicodramatista, Pós-graduada em Teoria Psicanalítica, Pós-graduada em Psicologia, Nutrição e Transtornos Alimentares -MBA em Coaching - Bacharel em Administração de Empresas - Jornalista (Mtb 75200/SP)

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